segunda-feira, 16 de outubro de 2017

EMANCIPAÇÃO POLÍTICA:

ASSU - 172 ANOS

No ano de 1845 assumiu, interinamente, a Presidência da Câmara Municipal de Villa Nova da Princesa, o Juiz de Direito Dr. Luiz Gonzaga de Brito Guerra até outubro de 1845.
No dia 30 de setembro de 1845 o então Deputado Provincial, João Carlos Wanderley, deu entrada ao Projeto Provincial, para elevar a Villa Nova da Princesa à categoria de cidade, com o nome de Assú, sendo aprovada pelos nobres deputados.
Finalmente, em 16 de outubro de 1845 foi sancionada a lei número 124, aprovada pela Assembleia Legislativa Provincial, elevando a Villa Nova da Princesa, pátria do finado Senador Francisco de Brito Guerra, à categoria de cidade, com o nome de ASSÚ - (com dois esses e acento agudo no “U”). Vejamos de conformidade com a original: 


LEI Nº 124 – Elevando á categoria de Cidade a Villa Nova da Princeza, com a denominação de Cidade do Assú.
O Dr. Casimiro José de Moraes Sarmento, Presidente da Provincia do Rio Grande do Norte. Faço saber a todos os seus habitantes, que a Assembléa Legislativa Provincial decretou, e eu sanccionei a Lei seguinte: 
Artigo Unico. Fica elevada á categoria de Cidade a Villa Nova da Princeza, patria do finado Senador Francisco de Brito Guerra, com a denominação de Cidade do Assú; e revogada qualquer disposição em contrario.
Mando, portanto a todas as Autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumprão e fação cumprir tão inteiramente como nella se contém. O Secretario interino desta Provincia a faça imprimir, publicar e correr. Palacio do Governo do Rio Grande do Norte, 16 de Outubro de 1845, vigesimo quarto da Independencia e do Imperio.
(L. S.) Dr. Casimiro José de Moraes Sarmento.
Lei da Assembléa Legislativa Provincial, que V. Exc. Houve por bem sanccionar, elevando á categoria de cidade a Villa Nova da Princeza, com a denominação de Cidade do Assú.
Para V. Exc. Ver.
João Ferreira Nobre a fez.
Publicada e sellada nesta Secretaria do Governo do Rio Grande do Norte aos 16 de Outubro de 1845. O Secretario interino – José Nicacio da Silva.
Registrada á folhas 178 do livro primeiro de semelhantes. Secretaria do Governo do Rio Grande do Norte, em 17 de Outubro de 1845 – O Segundo Escriptura
rio.
José Martiniano da Costa Monteiro.


O Ato Público da Proclamação da Independência do Município e da posse do novo Presidente da Câmara Municipal, Senhor Coronel Manoel Lins Caldas, o qual a partir daquela data, assumiria os destinos do recém criado município do Assú, deu-se no “Alto do Império” – atualmente esse local recebe o nome de Praça São João Batista.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

REMINISCÊNCIAS:

Fotografia do acervo de Carmem Délia de Sabóia Costa.
Castanha Chocha e Cachorrinha de Borracha (pseudônimos) eram dois débeis mentais que perambulavam juntos, pelas ruas da cidade de Assu de tantas figuras folclóricas, nos idos de sessenta. Castanha tinha uns 30 anos de idade e Cachorrinha era mais velha do que ele, Castanha, uns trinta e poucos anos. Pois bem, naquele tempo, se uniram em matrimônio, ato religioso realizado, salvo engano, por padre Militino na igreja matriz de São João Batista, lotada de curiosos como podemos conferir na fotografia, daquela terra assuense. O poeta Renato Caldas, um vigilante permanente que não perdia as oportunidades para versejar sobre o cotidiano da cidade, as acontecências do Assu, não deixou de registrar em versos, aquele engraçado acontecimento que movimentou, pelo fato inusitado, a cidade inteira escrevendo com irreverência e graça, aquele poeta do povo:

Quem procura sempre acha
É o ditado do povo
Arranjou marido novo
Cachorrinha de Borracha
Mas vai ser preciso graxa
Que a coisa não está tão frouxa
A fuzarca vai ser rouxa
Até o raiar do dia
Arranjou o que queria
Casou com Castanha Chocha.

Postado por Fernando Caldas

quarta-feira, 26 de julho de 2017

AÇÃO PARLAMENTAR:

LEI DE GEORGE SOARES TORNA VAQUEJADAS PATRIMÔNIO NO RN
O deputado estadual George Soares (PR) comemorou a sanção governamental da lei número 10.212, de sua autoria, que torna integrante do patrimônio cultural, imaterial e histórico do Rio Grande do Norte, a VAQUEJADA e suas expressões artístico-culturais.

Essa lei assegura as realizações das vaquejadas no RN, contanto que se sigam as regras discriminadas e os cuidados com os animais envolvidos. No Nordeste, mais de 700 mil pessoas dependem direta ou indiretamente das vaquejadas para sobreviver.

Como parlamentar, George Soares já defendeu diversas vezes as realizações das vaquejadas, mostrando sua importância para a economia do estado. “Empresários de todo o país veem o evento como um próspero negócio. Além disso, as vaquejadas são consideradas Grandes Eventos Populares deixando de ser uma simples manifestação Cultural Nordestina, para ser um fomentador de nossa economia, principalmente, no interior do estado”, justificou o deputado.

sábado, 22 de julho de 2017

CENTENÁRIO DO POETA DO 'PURA POESIA':

100 ANOS DE JOÃO FONSECA
A Prefeitura Municipal do Assu denominou o espaço cultural, localizado na lateral do Cine Teatro Dr. Pedro Amorim,  João de Oliveira Fonseca nasceu na Fazenda Itans, zona rural do Assu/RN, no dia 19 de julho de 1917. Filho de Manoel Henrique da Fonsêca e Silva e Delfina de Oliveira Fonseca. Iniciou os seus estudos no antigo Grupo Escolar Tenente Coronel José Correia, a partir de 1924. Ali teve o seu primeiro contado com o mundo das letras. Foi sua primeira professora D. Sinhazinha Wanderley. 

Foi integrante da primeira turma de Técnicos em Contabilidade, pelo Educandário Nossa Senhora das Vitórias, tendo colado grau em 1956. Ensinou, depois, no mesmo Educandário, Contabilidade Pública e bancária. Ingressou no serviço público em 31 de outubro de 1952.

Foi um cidadão modesto, simples e, sobretudo, sincero. Amava a poesia e a música. Devia sua tendência para a poesia (além de ter nascido na ‘Terra dos Poetas’) a poetisa Sinhazinha Wanderley. No gênero poético, deu preferência a trova e a quadra.

O também poeta Celso da Silveira classificou João Fonseca como “de uma geração de assuenses que mais se destacou na inteligência, entre as décadas de 40 e 50 (...). Nenhum, porém, demonstrou a continuidade, a perenidade obsessiva das vertentes poéticas que nem João Fonseca (...).

João Fonseca conviveu com grandes nomes da poesia assuense, entre estes: Sinhazinha Wanderley, Renato Caldas, Francisco Amorim, João Marcolino de Vasconcelos (Dr. Lou), João Lins Caldas, maria Eugênia Montenegro, Manoel Pitomba de Macedo, João Natanael de Macedo... Todos, poetas de expressão e que se consentiram em sofrer a amarga dor do desconhecimento das futuras gerações de assuenses. 

Conheci João Fonseca no início dos anos 80 quando trabalhei com seu filho Lúcio Flávio no BANORTE. Depois fui seu colega de trabalho na Prefeitura do Assu. Nessa época, já se aposentando, João Fonseca era o secretário responsável pela contabilidade do município (início da primeira gestão de Ronaldo Soares – 1982 / 1988), função que vinha exercendo por mais de 30 anos. 

Viveu como um verdadeiro filósofo. Gostava de repetir uma de suas trovas:

A vida, pra ser vivida,
Mistura alegria e mágua,
Eu, no fim de minha vida
Vivo como bosta n’água.

Fumante inveterado, certa vez pediu a Francisco Bernardo (Tico do Mercado) para comprar um maço de cigarros. Devido à demora ficou a cada instante saindo do seu bureau para a porta central da Prefeitura e, nesse interim, fez dois quadras:

Esperando o Cigarro...:

Na minha banca não esbarro,
Quando em vez olho pra rua,
Parece que o meu cigarro
Tico foi comprar na lua...

Continuo Esperando o Cigarro:

Se o cabra tiver a sorte
Quando estiver pra morrer,
Se Tico for ver a morte
Muitos anos irá viver...

João Batista da Costa Corsino – o popular Bodinho – foi um dos seus barceiros de boemia e de Prefeitura. Grande número de suas poesias foram dedicadas a ele. Devido ao tempo de serviço e a frequência assídua João Fonseca fez sua previsão:

Quando Bodinho morrer
Vão fechar a Prefeitura
Porque pode acontecer 
Que volte da sepultura.

João Fonseca tinha terror a aranha caranguejeira e adora mulheres. Como bom poeta também foi contaminado pelo amor feminino, para expressar esse sentimento fez essa analogia:

O amor é ver mordedura
De aranha caranguejeira,
Se não mata a criatura
Aleija pra vida inteira.

A bebida, especialmente a pernambucana Pitú, proporcionava com frequência o encontro dos servidores municipais da sua época. Para evitar o jargão “bebe hoje?!” perguntava: “Vai pernambucar hoje?”

Pernambucar, quer dizer
Nos botecos de Assu,
Um convite pra beber
A saborosa Pitú.

De outra vez o amigo Bodinho foi visto retornando do mercado com apenas dois ovos num saquinho plástico. João Fonseca não perdeu tempo:

Bodinho comprou dois ovos
No mercado, a um feirante.
Os dele já não são novos,
Irá tentar um transplante. 

Nos 15 anos dos seus filhos, Lúcio Flávio e Edna Lúcia, ele fez essas sextilhas:

Lúcio Flávio:

Lúcio, meu querido filho,
Se na vida tive brilho
Que se transmita a você,
- Ame sempre a caridade,
Adore sempre a verdade
Depois saberá porquê.

Edna Lúcia:

Nos quinze anos de idade,
Desejo-lhe felicidade
Na vida que for viver,
Que não tenha desenganos
E que viva muitos anos
Tendo alegria e prazer...

Enfrentando problemas de saúde o médico aconselhou suspender a bebida. Levando na esportiva fez essa glosa:

Isto sim, é um castigo.

Ver cerveja e não beber
Querer falar e ser mudo
Não ter nada e querer tudo
Ver cerveja e não beber,
Querer ver e não poder
Querer ser novo o antigo
Encontrar um velho amigo
Que há muito tempo não vê
Por isso afirma a você
Isto sim, é um castigo.

De infância muito pobre, cresceu com mágoa do popular velhinho do período natalino.

CARTA PARA PAPAI NOEL 

Papai Noel, vagabundo...
Desde que moro no mundo
Ouço falar em você,
Que é bom, que dá presente,
Porém, comigo, somente,
Nunca deu, não sei por quê...

Como as luzes das suas árvores de natal,
Foram as minhas esperanças:
Acenderam-se... e apagaram-se, em seguida,
Como se acenderam e se apagaram
Os mais lindos sonhos de minha vida...

E tudo que era lindo e que era sonho,
Tudo que era grande e era nobre,
Você escondeu no seu saco grande,
E nunca me deu,
Por eu ser uma criança pobre...

Papai Noel, você é da mentira a pura essência...
Na minha infância iludiu minha inocência...
E, hoje, homem feito, a sua tirania é tal,
Que me proíbe de ter um modesto natal...

Papai Noel, desejaria encontra-lo num deserto,
Meu saco cheio de pão, meu cântaro com água,
E você, com fome e sede, carpindo acerba mágoa,
Só para ter o prazer de matá-lo de fome e sede,
Pois só assim sentiria a alegria da vingança
De tudo que você fez comigo, quando criança...

Papai Noel, vagabundo,
Enganador sem segundo,
Não posso querer-lhe bem,
Você matou o meu sonho,
Fui um menino tristonho,
Sou um homem triste também...

Fonte: Pura Poesia – João de Oliveira Fonseca (Escritos Reunidos).

quarta-feira, 12 de julho de 2017

POETA DE OUTRORA:

TERRA NATAL

Salve, terra natal! Assu, berço de heróis!
Princesa do sertão, terra da liberdade,
Solo fecundo e bom, pátria de tantos sóis,
Sempre farta de luz, cheia de amenidade.

Teus verdes carnaubais trescalam suavidade
A doce orquestração dos ledos rouxinóis,
Sinto o olor da tristeza e amargo da saudade,
Assim longe de ti, gleba dos meus avós.

Tem glórias no passado e luzes no presente
Nas páginas da história, esplendorosamente
Teu nome já fulgura em letra multicor,

Salve glorioso Assu! Majestoso luzeiro
Berço róseo e gentil do meu sonho primeiro,
Terra que viu nascer o meu primeiro amor.

TRAÇOS BIOGRÁFICOS

Nasceu, a 22 de setembro de 1895, na cidade do Assu, OLEGÁRIO DE OLIVEIRA JÚNIOR.

Filho de Olegário Olindo de Oliveira e sua mulher dona Maria Cândida de Oliveira. Foi auxiliar de comércio e do magistério público, colaborando na imprensa, em sua terra, para o infantil (1911).

Em 1955, publicou o livro “Frutos do Meu Pomar”. Foi dos quadros da Academia Potiguar de Letras e da Academia Norte-rio-grandense de Trovas. 

Fez parte do livro ‘Poetas do Rio Grande do Norte’ – de Ezequiel Wanderley – 1ª Edição – 1922. Reeditado em Fac-Similar com atualização e notas de Anchieta Fernandes – Coedição de 1993 pela Sebo Vermelho – Clima e Sebo Cata Livros.

Não conseguimos localizar a data do seu falecimento. 

SANGUE

Sangue! Vitalidade, extraordinária essência,
Que fortalece e anima a flor da juventude...
Fonte de inspiração, suporte da existência,
Excelso precursor do gozo e da saúde...

Seiva de onde promana a suprema virtude de fazer
De fazer progredir a humana descendência...
Sangue! Musicação de violas e alaúde,
Nos contornos de corpo, ao rir adolescência.

Dos assomos da carne o gérmen soberano,
Morno, rubro, caudal, palpitando na artéria...
Sangue! Força vital do sentimento humano.

De capilares mil embrenha-se nas teias
Protoplasma da vida, a vida da matéria,
Cantando, triunfante, em giro, pelas veias!

AÇÃO PARLAMENTAR:

GEORGE SOARES COMEMORA ENTREGA DO PROJETO DA NOVA ESTRUTURA DA FEIRA LIVRE DE ASSU AO GOVERNO DO ESTADO
Nesta terça-feira (11), foi entregue oficialmente o projeto arquitetônico para a nova estrutura da feira-livre do Centro de Assu. A planta elaborada pelo setor de Engenharia da Prefeitura foi registrada na Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca, com a presença do deputado estadual George Soares (PR) e do prefeito de Assu, Gustavo Soares (PR).

O deputado George recebeu esse pedido dos feirantes ainda em seu primeiro mandato e destinou emenda para que a feira fosse recuperada há alguns anos, porém a gestão passada da prefeitura do Assu não mostrou interesse na obra e os recursos foram perdidos. Mas agora, com a nova gestão do prefeito Dr. Gustavo, uma nova emenda no Orçamento do Estado, no valor de 400 mil reais, foi indicada pelo parlamentar e beneficiará a cidade do Assu com a estrutura de feira permanente mais moderna do estado, segundo o projeto apresentado.

"Essa obra é um sonho dos feirantes e da população de Assu, que se Deus quiser vamos realizar," comemorou o deputado George.

terça-feira, 11 de julho de 2017

AÇÃO PARLAMENTAR:

GEORGE SOARES E PREFEITO VALDEREDO SE REÚNEM COM DER/RN SOBRE A RN-118
O deputado estadual George Soares (PR) esteve em reunião no Departamento de Estradas e Rodagens (DER/RN), nesta segunda-feira (10), com o diretor geral do órgão, Gen. Ernesto Fraxe, e o prefeito da cidade de Ipanguaçu, Valderedo Bertoldo.

No momento, o prefeito retratou a situação crítica da rodovia que já vitimou várias pessoas e do trabalho que a prefeitura fez por conta própria para recuperar a parte urbana da estrada.

Para o deputado George, a reunião foi produtiva. "A ação do prefeito Valderedo de fazer esse serviço urbano foi muito importante. O diretor do DER nos garantiu que, essa semana, os recursos sendo desbloqueados já se iniciam as obras nos demais trechos da rodovia, pois a licitação já está realizada," concluiu.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

REMINISCÊNCIAS:

TRAÇOS BIOGRÁFICOS DE 
JOÃO CELSO FILHO
João Celso Filho nasceu no dia 05 de setembro de 1886. Foi um dos assuenses que marcou a história de sua época. Foi professor, literato, teatrólogo, animador cultural, orador, jornalista, advogado, comerciante e político. 

Filho do tabelião público e capitão João Celso da Silveira Borges e de dona Emília Amarantina Chaves da Silveira Borges. João Celso, muito moço ainda, começou a escrever para as gazetas locais ao lado de Palmério Filho desenvolvendo o jornalismo provinciano.

Transpondo-se, um dia, para Belém, do Pará, deu mostra de seu talento nas colunas de A Província e ouros periódicos.

Retornando a sua terra berço, consorciou-se com dona Maria Leocádia de Medeiros Furtado da Silveira, descendente da família Casa Grande, no dia 31 de maio de 1915, cuja união nasceram: Maria Leocádia da Silveira, Expedito Dantas da Silveira, Dolores Dantas da Silveira, Eudoro Dantas da Silveira, Laurita da Silveira e Sá Leitão, Emílio Dantas da Silveira e Celso Dantas da Silveira. 

Foi presidente do Centro Bibliográfico Assuense, diretor e fundador da revista literária Palládio, diretor do Grupo Escolar Tenente Coronel José Correia. Em Assu, também foi fundador do Externato Rui Barbosa que teve vida efêmera.

A sua atuação de comerciante não o impossibilitou de preparar o livro ‘Terra Bendita’, de onde Dom Raphael Gutiere arrancou umas estrofes sertanejas, sob o mesmo título, de que fez versão para o idioma castelhano.

João Celso Filho faleceu, de enfarte, em sua fazenda Camelo – zona rural do município do Assu, a 14 de novembro de 1943. A sociedade assuense, consternada, publicou uma polianteia em sua homenagem. 

Em Natal, no bairro Cidade da Esperança, existe a Rua João Celso Filho. Em Assu ele é patrono da Avenida João Celso Filho - via totalmente duplicada – que, incorporada as ruas João Pessoa e Augusto Severo, dão acesso ao centro da cidade. 

Além da aludida Avenida, existe o Largo João Celso Filho com um obelisco constando a sua imagem em alto relevo, localizado no início da Rua Moisés Soares. 

No centenário do seu nascimento, ou seja, em setembro de 1986, foi lançado o livro Terra Bendita com várias de suas poesias e com pronunciamentos de amigos e intelectuais. 

Segundo Lauro Pinto, João Celso foi: “... um dos homens mais alegres, um otimista e um elegante boêmio. João Celso era como um oásis, muito verde e brilhante a irradiar a alegria de um espírito sempre encantador”.

João Celso Filho fez parte da coletânea POETAS DO RIO GRANDE DO NORTE – Ezequiel Wanderley – 1ª Edição de 1922. Reeditado em edição Fac-Similar com atualização e notas de Anchieta Fernandes, em 1993, através da coedição Sebo Vermelho, Clima e Sebo Cata Livros.

DEUS

Deus, dizem todos, é onipotente
Pode, querendo, o mundo exterminar,
E pode, se quiser, incontinente,
Outra vez, o universo arquitetar!

Eu, sou homem, o ser inteligente
Cá da terra, que pode o braço armar
Para - maior que o tigre e que a serpente,
O homem - seu rival - aniquilar!

Porém Deus é maior: é soberano!
Não conhece outro Deus, outro tirano,
Mora em cima de tudo, Lá nos céus!...

Mata os filhos, sem dor nem piedade!
No entanto, todos clamam-lhe a bondade...
Ah! Se eu fosse também como esse Deus!...

                                              João Celso Filho

CULTURA:

EQUIPE DO CINE TEATRO DR. PEDRO AMORIM INICIA PROGRAMAÇÃO DE ANIVERSÁRIO

quarta-feira, 5 de julho de 2017

CULTURA:

ITAJAENSE JOSÉ EVANGELISTA LOPES  LANÇA SEGUNDA EDIÇÃO DO 'SERTÃO RAÍZES' NA ACADEMIA NORTE-RIO-GRANDENSE DE LETRAS

terça-feira, 4 de julho de 2017

ATIVIDADE PARLAMENTAR:

O deputado George Soares (PR) representou a Assembleia Legislativa do RN, nesta segunda-feira (03), durante sessão em comemoração aos 125 anos do Tribunal de Justiça do RN.
Na oportunidade, o parlamentar recebeu o selo comemorativo feito pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios) em alusão à data.
"Como representante do Legislativo Estadual, temos a satisfação de parabenizar o Tribunal de Justiça do nosso Estado pelos relevantes serviços prestados nesses 125 anos de história e lutas do judiciário potiguar. A justiça é a maior defensora da verdade e tem relevante papel dentro da nossa sociedade", disse George Soares, segundo o texto procedente da assessoria de imprensa da ALRN.
Além do selo, os Correios também lançaram um carimbo comemorativo que será utilizado para carimbar a correspondência oficial do TJRN pelos próximos 60 dias.
Ao final deste prazo, o artefato será enviado ao Museu dos Correios, em Brasília, onde ficará exposto permanentemente junto ao acervo. A cerimônia em comemoração aos 125 anos aconteceu no auditório da Corte estadual de Justiça, no terceiro andar do prédio sede, na capital do estado, e contou com a presença de autoridades dos Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, além de servidores do TJRN.
Foto: Assessoria/ALRN

quarta-feira, 21 de junho de 2017

FESTEJOS:

SÃO JOÃO - ASSU
festas juninas - nordeste
Origem:

O calendário das festas católicas é marcado por diversas comemorações de dias de santos. Na tradição brasileira uma das mais festivas são as comemorações de São João. Esse ciclo passou a ser conhecido como Festas Juninas, englobando as reverencias aos principais santos homenageados no mês de junho: dia 13 Santo Antonio, dia 24 São João e dia 29 São Pedro e São Paulo. 

A origem destas festividades remonta um tempo muito antigo, anterior ao surgimento da era cristã e, portanto, do catolicismo.

De acordo com Sir James George Frazer, em seu livro O Ramo de Ouro, o mês de junho, tempo do solstício de verão na Europa, Oriente Médio e norte da África, ensejou inúmeras expressões rituais de invocação de fertilidade, para promover o crescimento da vegetação, fartura nas colheitas, trazer chuvas.

No Brasil:
 
Quando os portugueses iniciaram o empreendimento colonial no Brasil, a partir de 1.500, as festas de São João eram o centro das comemorações de junho. Alguns cronistas contam que os jesuítas acendiam as fogueiras e tochas em junho, provocando grande atração sobre os indígenas.

Pode-se observar, portanto, que ocorreu certa coincidência entre os propósitos católicos de atrair os índios ao convívio missionário catequético e as práticas rituais indígenas, simbolizadas pelas fogueiras de São João.

Essa época coincide com a realização dos rituais mais importantes para os povos que aqui cultivam as colheitas e preparação dos novos plantios. Os roçados velhos, ainda estão em pleno vigor, repletos de mandioca, inhame, batata doce, abóboras, abacaxis; a colheita de milho e feijões ainda se encontra em período de consumo. 

Uma série ritual, no período, inclui um conjunto variado de festas que congregam as comunidades em danças, cantos, rezas e muita fartura de comida. Deve-se agradecer a abundância, reforçar os laços de parentesco, reverenciar as divindades aliadas e rezar forte para que os espíritos malignos não impeçam a fertilidade. 

Tradições:

Nestas festas, até bem pouco tempo, antes da febre dos grandes grupos musicais, era comum a integração de grupos familiares. Essa confraternização familiar era alicerçada pela prática do compadrio, momento em que eram ampliados os laços entre vizinhos, patrões e empregados. Havia duas maneiras através das quais as pessoas adultas ou jovens tornavam-se compadres e comadres, padrinhos e madrinhas: uma era, e ainda é através do batismo; a outra, através da fogueira nas festas de São João. Até o século dezenove, até mesmo os escravos podiam ser apadrinhados pelos senhores de terra.

No nordeste brasileiro os festejos juninos ocorrem nas comunidades rurais, nas ruas, nos bairros, nas cidades, nas paróquias, transformando-se na festa mais importante do ano. Estas comemorações acabaram por atrair turistas prontos para participarem das efervescentes festas matutas. 

Assu:

Assu é o município do Nordeste pioneiro no São João enquanto Padroeiro. Há 291 anos a Igreja realiza novenas e os paroquianos participam dos festejos sociais (cada época a seu modo) para comemorar o período junino. 

Em 1720 com a chegada do Padre Manoel de Mesquita e Silva o Assu começou a realizar os primeiros trabalhos de evangelização, implantando o hábito religioso ligado à religião Católica Apostólica Romana. Os primeiros atos religiosos ocorreram sob as sombras de frondosas árvores.

Depois de seis anos foi construída uma Casa de Oração e criada, em 24 de junho de 1726, a Freguesia de São João Batista da Ribeira do Assu. A Freguesia foi a segunda da então Capitania do Rio Grande e a quinta do Brasil. O Precursor do Messias, João Batista, foi pela primeira vez, no Brasil, escolhido oficialmente como Padroeiro de uma freguesia (o equivalente a Paróquia, atualmente).

No decorrer destes 291 anos o povo assuense tem mantido esta tradição com muita religiosidade, cultuando neste período a fé, devoção e confraternização. O social acontece em reunião de vizinhos, amigos e familiares para agradecerem por mais um ano de graças e pedem proteção para o ano vindouro. A fogueira é o símbolo maior deste período, tendo sido sempre a maior simbologia dessas manifestações. 

Baseando-se nesses costumes, por Assu não vivenciar somente os Festejos Juninos, e sim, ininterruptamente, a festa do seu Padroeiro, alicerçado nas manifestações folclóricas do nordeste brasileiro (estilo único no mundo) durante quase três séculos, podemos afirmar que a festa de São João, em Assu, quando se unifica as comemorações religiosas com as sociais (profanas) é o mais antigo do mundo.
Foto: Bruno Andrade
Fonte: Marcas que se foram - Ivan Pinheiro (livro inédito)
https://pt.wikipedia.org/wiki/São_João.

domingo, 11 de junho de 2017

ATIVIDADES CULTURAIS:

Com a proximidade das festividades de aniversário do Cine Teatro Pedro Amorim, a administração municipal do Assú decidiu agilizar a realização de serviços de reforma necessários para que o principal palco da arte assuense dê ainda mais brilho à cultura local.
E, com este objetivo, o cronograma de apresentações precisa ser temporariamente interrompido durante todo o decorrer do mês de junho, segundo explicação do coordenador do órgão, Marcos Henrique.
Ele adiantou que serão feitas melhorias em todos os setores do Cine Teatro, inclusive nos sistemas de iluminação e sonorização, além de limpeza no carpete e outros detalhes que são imprescindíveis para que pleno funcionamento da estrutura seja assegurado.
“Quando nós assumimos a gestão do Cine Teatro fizemos algumas ações indispensáveis e, agora, é preciso nova intervenção neste sentido para que o Cine Teatro comemore seu aniversário na sua melhor forma”, afirmou o coordenador.
Ele enfatizou que em breve a programação de aniversário será anunciada e, assim como vem acontecendo em todos os eventos realizados no referido espaço, deverá prestigiar os artistas locais dos mais distintos segmentos.
Marcos Henrique acrescentou que mesmo passando por restaurações no palco, o Cine Teatro participara dos festejos juninos de Assú com a exposição de quadros do artista plástico assuense Wagner Di Oliveira, que acontecerá no hall de entrada, de 15 a 24 deste mês, no horário das 19h às 23 horas.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

AÇÃO PARLAMENTAR:

GEORGE SOARES PEDE INCLUSÃO DO PROJETO PARA REFORMAR CAMPUS DA UERN EM ASSU NO PROGRAMA GOVERNO CIDADÃO
O deputado estadual George Soares (PR) enviou ofício, nesta terça-feira (30), ao secretário extraordinário de gestão de projetos e metas do RN, Vágner Araújo, com o projeto de reforma da infraestrutura física do Campus da UERN em Assu, pedindo sua inclusão no Programa Governo Cidadão.

Segundo o documento, o projeto foi enviado ao gabinete do parlamentar pela direção do Campus, para que a estrutura que abriga a instituição seja ampliada com Centro de convivência, novos vestiários, elevador, sala de inclusão, sala de xerox, cantina e novas salas de aula para o curso de direito, que deve ser implantado no próximo ano e também fez parte dos pleitos do deputado George, na Assembleia do Estado.

"Quando se trata da UERN, nosso mandato está sempre a disposição, um Campus maior certamente atenderá melhor as necessidades dos nossos estudantes e dos profissionais que fazem a Universidade Estadual em Assu," afirmou o George Soares.

CULTURA:

 (FALA PROFERIDA NO AUDITÓRIO DA UERN DURANTE O EVENTO “III LETRAS EM CONFERÊNCIA”)
Oh Vida! Os teus milagres nem sempre são doçuras, mas não me dês tanto! Não me dês tanto, tanto, tanta amargura.
Escreveu o pensador, o filósofo João Lins Caldas.
No momento que esta universidade realiza o evento (III Letras em conferência), quero dizer que a poesia caldiana já está convenientemente estudada pela professora Cássia de Fátima Matos dos Santos na sua tese de doutorado, porém ainda tem muito a se contar e dizer sobre a trajetória e obra de João Lins Caldas.
Caldas era tipo magro, baixa estatura, andar curto e ligeiro, voz mansa, afetuoso, porém, se tornava intempestivo quando alguém discordava dos seus versos, dos seus conceitos visionários. Certa vez, certo amigo ao visitá-lo em sua casa de morada encontrou o poeta declamando chorando um poema de sua autoria. Ao terminar a sua oração aquele amigo e igualmente poeta, saiu-se com essa: “Caldas, eu não entendi o que você acabou de recitar”. Caldas foi solene, dizendo assim: “Eu estou declamando para os sábios como eu!”
Caldas chega à fidalga cidade de Assu por volta de 1900, acompanhando seus pais João Lins Caldas e Josefa Leopoldina Lins Caldas. Seu pai era natural de Assu e sua mãe nascera em Goianinha (de tradicional família Torres Galvão, ambas as ascendências de tradição na terra potiguar), cidade onde também nascera o solitário e amargurado poeta que hora relembramos. 
Lembro-me dele, Seu Caldas como ele era habitualmente chamado na cidade Assue (eu era ainda adolescente), pelas ruas da terra asuense onde ele era admirado por poucos e incompreendido por muitos. 
Lembro-me dele na sua modesta casa parede e meia, de porta e janela de duas lâminas, da Rua Ulisses Caldas, do Macapá, tradicional bairro de Centro da cidade de Assu, além das suas constantes visitas a casa de meu avô paterno com quem ele, Caldas, alimentava uma amizade desinteressada, sempre vestindo paletó e gravata com aquela simplicidade que lhe era peculiar, declamando seus versos, falando de política local e nacional, contando a sua vida atribulada e atormentada vivida no sudeste do Brasil. 
Produziu uma obra literária (ele tinha a sua própria forma de construção gramatical) multifária, extensa e bela, de invejar qualquer autor, de contextos diversificados com muita obsessão pelo tema morte.
“Meus mortos vivos nunca apodreceram.” - Diz num verso.
Romântico e apaixonado como sempre viveu, escreveu o esteta Caldas:

Coração malsinado das torturas,
Coração de mulher sem amor ter,
Goza um pouco a ventura de querer
Que este gozo é maior que outras venturas.

Tens, como as dores que hoje tens seguras,
Do amor a porta sem poder se erguer.
Ah! Que ventura se ilusões, das puras.
Hoje pudesse coração, conter!

Mas não! Que o gelo que dá vida à morte
É o mesmo gelo que campeia forte
Nesse teu seio onde batalha a dor...

És para o tédio e para o mal nascido...
Muda essa sorte, coração ferido,
Abra essa porta para o meu amor!...
 
Seus versos retrata a dor, a angústia, a solidão, o amor fracassado. Aliás, teria sido ele, penso eu, um dos poucos poetas brasileiros a escrever poemas com aspectos eróticos (umas das vertentenses da sua obra poética) no Brasil, alheios aos preconceitos da época, seguindo os moldes parnasianos, no começo da primeira metade do século XX como, por exemplo, o poema intitulado “De joelhos”, que o Almanaque Popular Baiano, de Salvador, publicou, para 1909, pág. 116, que evoco neste instante: 

Na areia brilhante nos dias de calma
Chegaste. A minha tentação. De joelhos
Me sinto a morder os lábios teus vermelhos...
Caio... E’ a febre... E tu morres e eu morro
Transfigurado a ti pedir socorro...
Vem... chega mais perto... o braço estende
Entre o teu, o meu corpo aperta e prende...
Flores à noite... a madrugada em flores...
E aqui meu coração e os teus ardores...
O silêncio vacila, a treva ordena.
Vamos!... a plateia é deserta... ao palco! Acena!
Afasta as rendas, do teu corpo afasta...
Esta roupa que odeio, esta camisa gasta...
Um trono a madrugada, a relva um ninho.
Deixa... eu aperto a tua mão no meu carinho...
Nua... a tua carne branca num arrepio
Me anuncia o calor a bendizer o frio...
(...)
Soo... a tua carne cansa e o coração a vida
Um beijo... mas outro... a tua carne em brasa...
E o meu instinto ao teu instinto casa...
(...)

E esse outro poema escrito nos moldes modernistas intitulado “Volúpia”, que ele escreveu sedento de amor:

Eu fui perturbar teu sono. Despertar a carne da tua mocidade.
Desgrenhar teu cabelo, dar febre ao teu sangue.
Perdoa, pela minha mocidade.
O lençol revolvido
O travesseiro molhado...
Se houve a tua a tremer, a minha cama na noite não soube também o que era ter sono.

Ainda mais essa joia de poemeto:

Quero-te. Vem. As carnes palpitantes
A forma tua onde a beleza mora...
És tu. Quero-te assim. Meu corpo implora
A graça que desce dos contornos...
Trêmulas as mãos e os lábios mornos.
 
Mora em Natal entre 1908 e 1912, colabora em jornais daquela capital e envia seus escritos inspiradores para grandes almanaques e folhinhas de farmácia daquela época.

Em fins de 1912, aos 24 anos de idade regressa ao Rio de janeiro, então Capital da República, mora em quarto de pensão, colabora em jornais como O Globo, ganhando pouco, o suficiente para o seu sustento diário, emprega-se no serviço público federal (Ministério do trabalho), colabora em importantes jornais e revistas do país, frequenta com assiduidade a Biblioteca Nacional, lendo os maiores autores das letras universais e frequenta as livrarias José Olímpio e Garnier, da rua do Ouvidor, Centro da capital fluminense convivendo com Ribeiro Couto, Guilherme de Almeida, Olavo Bilac, Monteiro Lobato, José Geraldo Vieira, dentre outras figuras que engrandece as letras nacionais.

Em 1917 muito antes da Semana de Arte Moderna, de 1922 começa a cantar no verso livre. O comovente poema intitulado A casa nos conta a sua história, que para Newton Navarro, expressa “a terrível realidade daquela casa fechada, com restos de morte dos seus mortos mais queridos, sobras de vida pelos móveis, salas, corredores, até no pavio apagado da lamparina tisnenta”, é um exemplo que ele escrevia versos brancos, emancipados de métricas. Declamo:

Fechai a casa toda vós todos que estais dentro de casa.
A casa nos vai dizer o seu segredo, a casa nos vai dizer o que é ela
a nossa casa.
Aqui cresceram choros de crianças
Os nascidos choraram
Embalaram-se da rede adolescentes
Velhos saíram nos seus caixões, esticados os pés, hirtos e mudos como tijolos levados.
Escrevi dos meus versos
Pensei dos meus pensamentos amargurados.
O cabelo comprido,
A barba pontiaguda, mal alinhada,
E das mesas, sobre as toalhas velhas
Os pratos fumegantes,
A incidência da luz sobre os armários.

Vamos, irmãos, tudo é entre sombras.
O medo
O cuidado
As mãos mortas,
O pavio do candeeiro,
Tudo é recordado.

... E ao comprido que se balouça esticada,
Uma cabeça, uma cabeleira preta,
Pés que se estiram, mãos alongadas...
Vamos, irmãos, eu que estou reparando, de retrato, esse quadro que se alonga ao longo da parede.

No eixo Rio-São Paulo escreveu treze livros que para Celso da Silveira “tinham títulos que já valiam poemas.” Antes, porém, quando morava em terras potiguares teria escrito quatro livros. Pena que ficaram apenas organizados em manuscritos e depois destruídos pelas traças, por guardá-las em malas e caixotes com precariedade ou por não saber onde guarda-los, talvez, pela sua genialidade que lhe deixava atordoado.

Entre 1912 e 1927, permaneceu no Rio de Janeiro. Em 27 regressa a Bauru, interior de São Paulo, já com emprego garantido na estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), ferrovia vinculada ao Ministério da Viação, onde colabora no jornal Correio de Bauru. Ali começa um processo investigativo, denunciando ao Supremo Tribunal Federal, supostas irregularidades praticadas por alguns auxiliares do ministro da Viação José Américo de Almeida. Causa que levou Getúlio Vagas a aposentá-lo precocemente, aos 45 anos de idade, percebendo um salário miserável. Indignado escreveu ao presidente Vargas:

“A inconsciência nacional manifestou. Mas Deus é consciência e eu ainda espero em Deus.”

Sem obter resposta, endereçou outra mensagem ao presidente Vargas (que não se sabe ao certo, se aquelas mensagens chegaram ao conhecimento daquele estadista), de tal modo:

“Se não guardou nome amigo que por Vossa Excelência tão denodadamente lutou guardará nome amigo que por Vossa Excelência tão denodadamente lutará.”

Volta em 1933, a sua cidade de Assu, terra que escolhera para viver a sua maturidade, decepcionado e desiludo por não ter conseguido publicar-se trilíngue: português, inglês e francês, cujo trabalho se tivesse publicado, entendia Caldas que teria alcançado a glória, o reconhecimento e se tornaria um dos nomes mais representativos da poética universal.

Em 1936, o poeta que não conseguiu a sua aspiração maior: ganhar um Nobel de Literatura com a publicação da sua obra imortalizou-se, pois foi colocado como protagonista na segunda fase do romance urbano de ficção, “essencialmente carioca” intitulado Território Humano, do escritor, seu amigo íntimo, o paulistano nascido nos Açores, Portugal, considerado por Érico Veríssimo como “o mestre do romance Brasileiro”, encarnado no personagem Cássio Murtinho.

Afinal, em 1975, Celso da Silveira organizou a antologia póstuma de João Lins Caldas intitulada Poética, editado pela Fundação José Augusto, cujo livro chegou às mãos do poeta pernambucano Mauro Mota que aquela época dirigia o Suplemento Literário do Diário de Pernambuco. Ao ler o livro, Mota externou (nota publicada naquele periódico) que naquela coletânea tem três ou quatro poemas que são dos mais belos da língua portuguesa, incluindo o célebre e universal poema sob o título Isabel:

Uma Isabel morreu no mundo.
Tinha pai e mãe, irmãos e sobrinhos, aquele mundo de primos no mundo.
Avós enterrados, bisavós trepidantes nos cernes duros de árvores agigantadas.
Ascendentes outros na nervura de asas e barbatanas de peixes.
Isabel hoje estava cansada.
Remontava das suas origens a dias muito anteriores aos dias de Tebas,
Viveu de fresco os poemas de Homero,
A guerra de Tróia,
O passado de Sócrates,
E, caída Cartago, soldados ruivos, assalariados, mortos.
Não soube nada d sua crônica.
Era uma mulher, vestida de saia, os cabelos compridos
E se alimentava de pão, rapadura e mel.
Isabel tinha linhas nas mãos.
Uma sorte que estava escrita, diferente sem dúvida das outras sortes.
O destino de Isabel, o destino da vida como dos outros que carregam a morte.
Eu nunca vi Isabel.

Muito obrigado.

Fernando Caldas 
Postado pelo blog Fernando Caldas.

sábado, 20 de maio de 2017

SANÇÃO:

O prefeito Gustavo Soares (PR) sancionou a lei que reconhece como de utilidade pública a Academia Assuense de Letras (AAL).
O ato que legitimou tal reconhecimento foi publicado no Diário Oficial do Município nº 3.179, veiculado pelo site oficial da Prefeitura da ultima quinta-feira (18).
O ato de sanção sucedeu à aprovação da lei pela Câmara de Vereadores, salienta informação da Secretaria de Comunicação e Ouvidoria.
“A Academia Assuense de Letras surgiu para ocupar um espaço importante no esforço para preservar e manter viva a memória cultural, literária, poética e artística do município”, declarou o chefe do Executivo municipal.
Fundada em 23 de janeiro de 2015, a AAL se constitui numa associação civil, sem fins econômicos, que tem a finalidade de cultivar, preservar e a divulgar a literatura.
O colegiado atualmente possui 14 membros, de um total de 40 cadeiras, e hoje é presidida pelo professor e cronista e escritor Francisco José Costa dos Santos.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

ATIVIDADE PARLAMENTAR:

GEORGE SOARES VISITA INSTALAÇÕES DA STERBOM
O deputado estadual George Soares (PR) visitou, nesta quinta (11), as instalações das fábricas de sorvetes da Sterbom, acompanhado do proprietário, Toinho da Sterbom, do prefeito de Assu, Dr. Gustavo Soares (PR), e do ex-secretário de estado, pai do deputado e do prefeito, Ronaldo Soares.
O empresário Toinho fez o convite e mostrou pessoalmente a estrutura dessa grande indústria, genuinamente potiguar e que tem planos de expansão para o interior do estado. A cidade do Assu está dentro desse planejamento.
“Convidamos Toinho da Sterbom para fazer uma apresentação no 2° Fórum do Vale do Açu para apresentar seus planos que vão de encontro com a geração de novos empregos e de mais renda para o povo do Assu e região. Ficamos impressionados com o nível de tecnologia e profissionalismo da Sterbom, administrada por um homem de visão”, afirmou George Soares.

HISTÓRIA:


Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com
Na internet, tomamos conhecimento que as informações sobre o Barão de Ceará-Mirim continuam desencontradas. Tanto há discordâncias quanto ao nome do pai de Manoel Varela do Nascimento, quanto a data do seu nascimento. Por mais pesquisa que se faça, não se chega a um denominador comum. E mesmo com a divulgação do seu casamento, vários escritos sobre o barão não corrigiram suas informações.
Minha família Trindade, lá de Angicos, vivia, em sua maioria, em Santa Luzia, onde se localiza uma das propriedades do barão. Encontramos, vários eventos religiosos onde Manoel Varela do Nascimento e seus familiares se apresentaram como padrinhos ou testemunhas.
Para exemplificar, em 27 de dezembro de 1855, na Matriz de São José de Angicos, ocorreu o batizado de Francisca, filha legítima de João Batista da Costa Xavier e de Michaela Francisca da Trindade, esta minha tia-bisavó. A batizada tinha nascido aos 30 de novembro desse mesmo ano, e teve como padrinhos Manoel Varela do Nascimento e sua esposa Bernarda Varela Dantas, moradores em Extremoz, por procuração passada ao casal José Bonifácio da Trindade e Rosa Maria da Conceição.
As dificuldades para se fazer algumas genealogias aumentam quando uma mesma pessoa aparece com vários sobrenomes, e algumas vezes com nomes diferentes.
A ascendência de da Baronesa é mais rica em informações, pois vai até os mártires de Uruassú, Antônio Vilela Cid e Estevão Machado de Miranda. Ela era filha de Francisco Teixeira de Araújo e de Izabel Xavier de Sousa, que casaram em 8 de fevereiro de 1804. Esses pais de dona Bernarda eram parentes muito próximos, pois foram dispensados no 3° e 4º graus de consanguinidade. Os pais de Francisco Teixeira de Araújo eram o português José Teixeira da Silva e Thereza Duarte de Jesus, enquanto os pais de Dona Izabel eram o capitão Francisco Xavier de Sousa e Dona Bernarda Dantas da Silveira.
Para entender melhor esse parentesco dos pais de Dona Bernarda, que herdou o nome da avó materna, vamos avançar na sua ascendência. O português José Teixeira da Silva tinha como pais João Teixeira da Silva e Maria Joana, enquanto sua esposa, Thereza Duarte de Jesus, era filha de João Rodrigues Seixas e Dona Joana Rodrigues Santiago; já o capitão Francisco Xavier de Sousa era filho do baiano Francisco Xavier de Sousa e Thereza Duarte de Jesus, enquanto os pais de sua esposa, Dona Bernarda Dantas da Silveira, eram o mestre de campo, o português Sebastião Dantas Correia, e sua mulher Dona Ana da Silveira Freire.
As bisavós Joana Rodrigues Santiago e Thereza Duarte de Jesus, a primeira paterna, e a segunda materna, eram irmãs, sendo ambas filhas de Salvador de Araújo Correia e Isabel Rodrigues Santiago. Esse parentesco das bisavós é que gerou a dispensa de 3º grau entre os pais da Baronesa.
Isabel Rodrigues Santiago, trisavó da Baronesa, era filha de Manoel Rodrigues Santiago e de Catharina Duarte de Azevedo. Esta, por sua vez, era filha de Manoel Duarte de Azevedo e Margarida Machado de Miranda. Segundo o memorialista Manoel Maurício Correia de Sousa, no seu manuscrito sobre as famílias de Utinga, datado de 1840, Margarida era a filha do mártir Estevão Machado de Miranda e Dona Bárbara Viela Cid. Esta última, por sua vez, era filha do outro mártir, Antônio Vilela Cid e de Dona Ignez Duarte, irmã do Padre Ambrósio Ferro, também sacrificado em Uruassú.
Não foi possível identificar o parentesco de 4º grau entre os pais de Dona Bernarda, mas desconfio que se dá através das trisavós deles, Joana da Silveira, pelo lado paterno, e Domingos da Silveira, pelo lado materno. É possível que esses trisavôs fossem irmãos. Dona Joana era casada com outro João Rodrigues Seixas, enquanto Domingos era casado com Catharina de Amorim.
Completando nossas informações, o português Sebastião Dantas Correia era filho de José Dantas Correia e de Izabel Pimenta da Costa. 
Fonte: Hipotenusa.